Versos Negativos

By Jota

Sinceridade e toda essa patuscada humana,

no fundo todos acabam se matando pelo último pedaço,

de carne, humana ou não.

Viver, às vezes, acho que se resume a entender.

Nascemos assim de carne e osso, mas, mais uma vez no fundo, as coisas vêm de outro lugar; muito sutil, muito mais sutil do que toda essa “sinceridade (…) e patuscada humana”, mas aquilo que nos origina, o mistério das coisas… perturbador, por isso uns negam, outros negam e ainda alguns negam.

Talvez esses não sejam “Versos Negativos”, como diz o título, pelo simples motivos de não serem versos. Mas terem apenas a alma poética, a vontade que separa o intuito do poeta e do prosador. Sem juízo de valores e análises qualitativas, simplesmente cabeças de poeta funcionam, não melhor nem pior, mas de forma diferente.

MAS TODOS TÊM UM POETA DENTRO DE SI !!!

Sem eufemismo. Porque eu trairia a confiança do leitor, meu grande rei, ludibriando-o de uma verdade que nem eu acredito, por quê ?

Todos têm um poeta dentro de si, todos nascem com ele. Mas só alguns se arriscam no “secreto esperanto da poesia”, sinceramente ainda não descobri por que cargas d´agua só alguns. Esse é mais um dos mistérios.

Enfim, todos são poetas, portas abertas a Deus, cheios de subjetividade e desordem; todos contêm essa magia humana de fazer tudo errado e dar certo no final.

Outro mistério.

Pois vai assim mesmo, não se surpreendam, repleta de mistérios e indecisões, discordâncias e imprecisões, beirando o impossível, por isso gostamos tanto de novela.

[se soubesse falar francês o usaria agora, neste momento de ligação, onde acaba uma idéia e começa outra. Uma coisa que aprendi com o sábio Quintana, Mario Quintana, dono da frase entre aspas mais acima e do trecho a seguir: a poesia não tem começo nem fim, por mais que alguns tentem, se matem, para assim fazer. A poesia é eterna, interna, sem terra e universal, sim claro, para os moldes terrestres]

E as dúvidas que ela suscita, ficam sempre por ai, nos incomodando, ajudando os bons professores das mais diversas áreas a ilustrarem suas aulas construtivistas. Poesia é instrumento, sem cabo, que tem vida e precisa ser amarrado, instrumento-bicho, com fome e vontade de viver.

Mas esses versos não são sobre poesia, são sobre negação. De que ? Da nossa própria missão na vida, entender. Poderia dizer, para esclarecer, negação da negação.

E todos acabam entendendo alguma coisa no final, graças a Deus:

O emprego é perdido, e o burro procura outro,

Pra continuar servindo.

Vemos a miséria e passamos por ela

cheios de Dó, certos de que não temos parte nisso.

Ou isto ou aquilo, damos a cara a tapa

e Ganha o pérfido, sempre.

Como conclusão questionamos a existência de Deus, constatamos, em coro:

ELE NÃO EXISTE, e fica tudo certo pra manhã seguinte, com a liberdade e a certeza de não termos nada acima de nós além de nós mesmos.

- Imagina, se ele existisse nunca sofreríamos tanto !

Exclama o ateu inconformado, diplomado, no final do século XX.

Então é como sempre foi, Homens versus Homens ?

talvez um deles acabe sem a maiúscula…

O que fazer então com nossa onipotência perante o Universo ?

Explorá-lo, como fizeram os europeus com o Novo Mundo ?

Acho que não somos tão fortes assim:

Há mais mistérios além do céu da Terra do que pode imaginar a nossa vã cobiça.

Cheguemos, pois, a pelo menos um consenso: os homens são medíocres, em sua maioria,

e as mulheres também !

Ambição, disputa, corrupção, falcatrua, mentira, inveja, ciúme, egoísmos em geral, mesquinharia, trairagem, ódio, cegueira, ignorância, agressividade, possessividade, prepotência, gula, infidelidade…

… não é divertido ser humano ?

Com a limitação humana,
Vem o cerne da Salvação !
Pela matéria “profana”,
Se dá o elo de ligação !

Ilimitada missão,
Que começa e acaba,
Um dia é da caça,
Acabada,
Outro dia é do caçador.

Com a limitação humana,
Vem o problema da ocasião,
Falsa integridade e palavras de salvação.

MAIS UMA VEZ QUINTANA:

No meio da Tempestade, o Poeta reza sem FÉ !”

Podem considerar isso uma oração !

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